Mise à Jour

25 04 2010

Faz já algum tempo que não dou notícias. Agora que está quase a fazer 6 meses que cheguei a Paris, parece ser um bom pretexto para fazer um balanço.

O objectivo da viagem foi aprender. Aprender num sentido bastante lato, não só tecnicamente, mas também como pessoa. Lutar para vencer obstáculos, encontrar novos desafios e, como costumo dizer, “descobrir o segredo dos gajos”. Afinal de contas, porque é que eles são mais desenvolvidos que nós? O que é que faz a diferença na sua forma de encarar a vida?

 

A fase dos obstáculos já lá vai e não durou muito tempo. A maior dificuldade foi encontrar casa. Só queria alugar por 3 meses e o normal é alugar por um ano, como em Portugal. Para além disso, é bom ter referências como recomendações de antigos senhorios, fiadores para o caso de não se pagar a renda… Como é evidente, caindo aqui de pára-quedas não tinha nada, mas como bom tuga, lá me desenrasquei.

No trabalho, é normal que quando alguém chega seja um pouco posto à prova, até se ganhar confiança. Foi isso que aconteceu, mas também não durou muito tempo.

Assim sendo, a minha vida agora está no parisiense “Métro, boulout, dodo”. Que é como quem diz, rotineira.

A língua acaba por ser também uma forte barreira e estou cada vez mais convencido que éramos mais felizes se falássemos todos a mesma língua. Aquela sensação, da qual falei aqui uma vez, de no meio de uma conversa sentirmos que temos qualquer coisa a dar ou uma boa piada e não dizer porque uma questão linguística… é constrangedor. Para os grandes defensores da língua como forma de identidade, deixo esta experiência. Não dominando a ferramenta da língua em que se desenrola a conversa, perdemos completamente a exposição da nossa identidade. Não porque não tenhamos ideias, não porque não tenhamos identidade. Simplesmente porque nos falta a ferramenta para a exprimir.

Já tinha a experiência de viver sozinho e longe da “terra”. A esse nível, depois de se encontrar o equilíbrio, que acontece inevitavelmente mais rápido no nosso país, a experiência quotidiana não é muito diferente. A diferença maior é o fim-de-semana, porque antes estava “@ weekend driving distance” 🙂 E aqui tenho uma boa deixa para partir para a segunda parte, a análise do espécime homo francilien.

O homo francilien não é tão social como o homo tuga, embora tenha realmente o nariz maior 🙂 O que me leva a supor que eles não socializam com medo que se vejam os macacos 😀

Passado o breve aparte humorístico, na realidade eles são menos sociais e por isso, tendem a separar mais trabalho e amigos do que nós. Assim, como na idade adulta passamos a maior parte do tempo acordado a trabalhar, acaba por não ser fácil fazer amigos por estas paragens. Este é um problema que os próprios franceses que vêm de fora de Paris sentem.

Têm definitivamente uma forma mais pragmática de encarar a vida e o trabalho. Não há trabalho bom e trabalho chato, ou pelos menos não se incomodam tanto com o chato como nós. O grau de implementação da meritocracia não é ainda claro para mim.

Por outro lado, têm coisas latinas, tal como nós. Também passam vermelhos, no metro empurram-se e acotovelam-se de uma maneira quase animal e quando querem sair, esquecem a verbalização do “Pardon, excusez-moi” e partem para um bem mais universal empurrão! Como há aqui gente de tantos sítios diferentes eles lá devem pensar que não vale a pena falar, porque o “desagradável monsieur que me está a tapar o caminho pode não perceber nada do que eu digo”. Se a língua fosse mais universal, tenho a certeza que seriam mais educados… ou então não.

Do ponto de vista económico há algo que me fez pensar. Centros comerciais só estão abertos até às 20:00 e fecham ao Domingo. Se partirmos do princípio que o consumo não varia por as lojas estarem mais tempo abertas então, isto faz com que o trabalho aqui seja automaticamente mais produtivo. Não percebo nada de economia e as opiniões são como as… quem quer dá-las, dá-las… Uma consequência imediata é sem dúvida a quantidade de gente às compras. Há muito mais gente e é sempre preciso esperar 10 minutos numa fila para pagar.

Isto leva-me ao último ponto desta valente seca Valente 🙂 que, quem ainda não tiver adormecido ou feito “zapping” para outro blog, está a apanhar.

E o último ponto é a economia de escala. Há 12 milhões de pessoas a viverem na área metropolitana de Paris, mais 20% do que a população de Portugal inteiro. Tomando os transportes como exemplo, é verdade que têm uma cobertura e frequência espectaculares e entenda-se que transporte público para mim tem que andar em cima de carris. No entanto, fruto da elevada densidade populacional, a taxa de utilização acaba por ser bastante elevada e é verdade que a expressão “sardinha em lata” aqui é quase levada para o mais francês “paté de sardinha” 🙂

Por outro lado, segundo dados da wikipedia, a densidade populacional da área metropolitana de Lisboa é maior do que a da área metropolitana de, enquanto que a nível global dos dois países, a diferença é de 1 habitante/km2.

Assim sendo, ainda não tenho grandes conclusões. Por isso, fico contente por a minha estadia ter sido mais uma vez prolongada por três meses.

 

Para os que conseguiram chegar até aqui e também para os outros que resolveram fazer logo scroll até ao fim da página, mas que resistiram à tentação de a fechar, deixo umas fotos da Torre Eiffel. Entretanto subi até lá bem ao topo, mas não fui devidamente equipado, por isso as fotos não estão tão nítidas como gostaria.

 

A inevitável fila, desta vez para o elevador…

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Stitched Panorama

 

No topo da torre uma curiosidade. Lisboa e as duas maiores cidades do “Novo Mundo” não estão só ligadas por 500 anos de história e amizades transatlânticas, mas também pela mesma radial a partir da Torre Eiffel.

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Por fim, uma foto de outro dia. Esta tirada no Musée du quay Branly, que me foi dado a conhecer por uma das belas visitas que tive. Não entrámos para ver a exposição, mas o edifício e o jardim que o circunda são interessantíssimos.

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Por falar em museus, ontem fui visitar o Musée de l’Air et de l’Espace, uma paragem obrigatória para qualquer apaixonado da aeronáutica, mas não só. Ainda não vi as fotos, mas espero encontrar umas boas para mostrar aqui.

 

Beijinhos e abraços!








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