Week-End au Portugal

16 11 2010

Passei o último fim-de-semana na “terra”, numa altura em que a “terra” anda na boca do mundo.

Fala-se do FMI e do fundo de emergência europeu e da Irlanda com 32% de défice público este ano.

 

Já não ia a Portugal desde Agosto, muito antes da novela do orçamento de estado e dos juros da dívida pública chegarem a 7%.

Não sabia bem que estado de espírito ia encontrar e a verdade é que me custou ver desanimados mesmo aqueles que estou habituado a ver mais pragmáticos, racionais e motivados.

 

Um dos meus objectivos nesta passagem por terras gaulesas é tentar perceber melhor as diferenças de mentalidade entre os dois países, como forma de explicar a diferença do PIB per capita. Como disse no último post, ainda não cheguei a uma conclusão clara, por vezes coloco mesmo em causa o meu conhecimento da realidade portuguesa.

Mas, de uma forma geral diria que nós somos bastante mais emotivos do que os franceses, temos o sangue mais quente. Para além disso, temos uma capacidade notável de fazer as coisas em cima do joelho e uma certa tendência para o conhecimento intuitivo.

Isto acaba por resultar numa espécie de aversão à monotonia do planeamento e à tomada decisões de forma avisada. E quando falo desta tomada de decisões, falo tanto da decisão de construir o TGV, como a de uma família que decide comprar um carro novo.

Afinal de contas, se no fim nos desenrascamos quase sempre, qual é o stress?

Acabo por pensar que somos bons, mas precisamos de orientação.

 

Recuso a visão de que o momento que se vive em Portugal é da exclusiva responsabilidade da classe política. Não quer dizer que não tenha a sua quota parte, mas atribuir-lhe a exclusividade parece-me uma resposta demasiado fácil.

O problema e a solução tem que estar numa franja alargada da população.

A verdade é que não conheço nenhuma poção mágica, nem o melhor caminho para potenciar as nossas qualidades e isso deixa-me um certo amargo de boca, porque acabo por ser mais um a fazer parte do problema e não da solução.

 

Apesar de tudo, quando venho de volta no avião, pergunto-me sempre se venho no sentido certo.

 

Para me despedir, deixo uma foto em jeito de convite. O nosso bonito Rossio no Natal de 2008. As iluminações de Natal devem estar mesmo a aparecer. É um lindo espectáculo para o qual não é preciso bilhete e que é muito bem acompanhado por uma dúzia de castanhas bem quentinhas.

 

DSC_0270

 

Beijinhos e abraços!

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6 responses

17 11 2010
Tópai

À pois é !! Infelizmente andamos na boca do mundo e quase sempre pelas piores razões!! Mas enfim,melhores dias virão e entretanto vamos aproveitando as coisas boas que ainda vai havendo.
Quanto ao sentido da viagem esperamos pela volta do avião….
Beijinhos

19 11 2010
Ricardo

Olá Marco

Vive o momento a vida vai acabar por indicar o sentido correcto espero que seja o melhor.

Quanto a Crise eu troco por saúde…eh…eh…

23 11 2010
Lígia

Olá grande Marco. Eu partilho da tua pequena angústia de utopicamente não conseguir fazer qq coisa pelo nosso país e pela sociedade em geral. No entanto o meu sentimento é que vamos fazendo pouquinho, mas que já é qualquer coisa e depois, é ir apanhando as pistas… Talvez um dia consigamos feitos maiores! Desde já, ao seres como és, estás a contribuir de forma garantidamente positiva, pelo menos para os que te rodeiam. Quanto ao sentido, é sempre o certo, o percurso é que pode ser mais longo… Aproveita as experiencias com o coração o mais aberto possível. Beijocas grandes e um sentimento típico português… SAUDADES!!!

28 11 2010
tia gina

É a nossa realidade, mas como somos pessoas positivas melhores dias viram,já falta pouco para estares de volta assim esperamos, o Natal já está ai, queremos fostos ok, beijocas e muitas saudades.

3 12 2010
Andreia

Estás muito pensativo…Deixa lá, que nós cá nos vamos desenrascando. É este o espírito português. Penso que não sabemos viver de outra maneira: À rasca e no desenrasca.
Quanto se estás no sentido certo de volta a Paris, espero que sim, pois costuma-me imenso estar no sentido contrário.
Aproveita a vida no presente, independentemente no sentido que vás. Desde que leves no pensamento aqueles que mais te amam…beijo

17 12 2010
Rita mãe

Já falta pouco para veres e tirares fotografias as iluminações da cidade de Lisboa, eu ainda não as vi mas os comentários são positivos.
Beijinhos

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