Après le 13, le 14

14 11 2015

Olá a todos,

Como sabem, a noite de ontem, 13 de Novembro de 2015, ficará gravada na história como a noite em que Paris, França, Europa e o Mundo Livre foram uma vez mais atacados pelo extremismo anti-ocidente.

Entre Nova Iorque, Madrid e Londres, Paris é a única que aparece como repetente nos últimos anos. Não deixa de ser estranho, sabendo que das quatro é provavelmente aquela que tem uma maior comunidade fiel a Alá, mas perfeitamente integrada no modelo de vida europeu.

No rescaldo, fui até à Place de la République, palco da grande manifestação pós Charlie Hebdo.

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Um pequeno grupo de pessoas depositava as suas preces de paz, coloridas de flores ou de símbolos de esperança num mundo que nunca tivemos.

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Na rua sente-se um ambiente pesado. Não lhe chamaria um ambiente de medo, mas antes de luto. Fala-se num silêncio de respeito pelos que nos deixaram ontem.

Alguns comércios estão abertos,

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Mas muitos estão fechados.

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Muita gente ficou em casa, seguindo a recomendação da Câmara de Paris. Ruas que estão tradicionalmente pejadas de trânsito, estão calmas:

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E sobra espaço nos transportes públicos:

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Não encontrei muita polícia pela rua, exceto nas estações de metro e de comboio.

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Mas, o objetivo deste blog nunca foi o de ser uma espécie de fotojornalismo. O objetivo é o de partilhar o que penso, o que sinto nesta aventura por terras gaulesas.

Este é o primeiro atentado em Paris que sinto e que acompanho. No princípio do ano, quando ocorreram os atentados do Charlie Hebdo, estava a mudar de casa. Não tinha televisão, nem internet. Fiquei, por isso, no conforto da ignorância.

Agora já tenho acesso à informação. Para mais, os atentados de ontem são diferentes, não são direcionados a um grupo específico. São uma ameaça a qualquer um.

Apesar de estar em segurança em casa, estava agarrado ao telemóvel à procura de notícias de amigos meus que moram por aquelas bandas. Não tenho dúvida nenhuma que isso me faz sentir muito mais o acontecimento e pensar nas suas consequências. Se estivesse na maravilhosa Cascais também pensaria, mas era qualquer coisa que se estava a passar “lá longe” e sem pessoas conhecidas.

Apesar de tudo, o que receio mais não é a segurança individual. Os nossos pais, avós, bisavós e por aí fora deixaram-nos um legado cultural que está à nossa responsabilidade. Será que vamos conseguir mantê-lo? Nem sequer sei como o devemos fazer.

Pensando na reação aos eventos de ontem, parece-me que se quisermos ser fieis ao nosso legado de raiz cristã, devemos acreditar que a compaixão e o amor acabarão por ganhar. Vão esvaziar o argumento da guerra inter-religiosa que alimenta o extremismo.

Por outro lado, não podemos ficar de braços cruzados à espera do próximo ataque. Estamos a perder de qualquer uma das formas.

Desconfio fortemente que se hoje houvesse eleições em França, a Marine Le Pen seria eleita presidente. Interpretaria isto como uma vitória do terrorismo.

Estamos a combater radicais que buscam a sua motivação na religião. Na Europa já não há praticamente fervor por nada. O ardor patriótico não existe, a devoção cristã já não existia. Resta-nos esperar que a nossa paixão pela Liberdade prevaleça. Se enfrentarmos o desafio em nome individual, então já perdemos.

 

Beijinhos e abraços





14 juillet

1 09 2015

14 de Julho é o feriado nacional em (na) França. Uma espécie de 10 de Junho da Gália, com direito a desfile militar e tudo.

Se no 10 de Junho comemoramos a memória de Camões, o 14 de Julho tem contornos muito menos poéticos. Comemora-se a instauração da república em 1789 e o regime da guilhotina em roda livre!

Para além do desfile militar e discursos políticos. o fogo de artificio é um elemento essencial nas comemorações com largada de fogos um pouco por toda a parte.

Este ano resolvi levar a máquina e o tripé e aqui fica o resultado.

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Beijinhos e abraço!





La banlieue bordelaise

30 08 2015

Não confundir com “La banlieue bordelique”, até porque não é verdade. Os arredores de Bordéus são bastante “arranjadinhos” e ao fim e ao cabo, os maiores responsáveis pela sua reputação internacional.

Olá a todos,

Obrigado por voltarem a passar os vossos olhos e o vosso tempo por estas páginas.

Como prometido da última vez, vamos dar um saltinho até às famosas vinhas de Bordéus, mas antes… antes, uma surpresa.

Na costa e a cerca de 50 km de Bordéus fica a duna do Pilat, a duna mais alta da Europa! E esta hein, quem diria que esta curiosidade geológica ficava a dois passos de Bordéus!

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A altitude máxima varia um pouco consoante os anos, mas anda por volta dos 110m acima do nível do mar, que fica ali mesmo ao lado.

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O que custa mais é a subida, mas depois de se alcançarem as alturas, a vista é fantástica. A duna ergue-se com altivez entre o mar e uma mata verdejante.

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O declive é impressionante. Brinquei muito no guincho a descer as dunas em modo “saco de batatas”, i.e. aos rebulões duna abaixo. Se fizesse o mesmo por estas bandas, tenho impressão que ficava tonto durante uma semana Smile

Ali mesmo, mesmo ao lado, fica a Bassin d’Arcachon, uma espécide de lagoa de Albufeira em modo king size. O tempo estava contado e já não deu tempo para ir até lá. A reportagem fotográfica fica prometida para a próxima.

Passemos então para as vinhas.

O vinho de Bordéus está certamente entre os mais conhecidos do mundo. A área de produção ascende a cerca de 120 000 ha (17000 campos de futebol, mas apenas 4% do Alentejo). A produção em 2010, não encontrei números  mais recentes, foi de 5 983 000 hectolitros (quase 800 milhões de garrafas, 160 piscinas olímpicas!). Em 2014, Portugal no seu todo produziu a mesma quantidade (o que eu descubro ao escrever o blog).

Apesar de Bordéus ser uma denominação vinícola, existem centenas de regiões demarcadas dentro dessa mesma denominação. Da mesma forma que Reguengos e Borba fazem parte do Alentejo.

Por sorte, o fim-de-semana da nossa visita era também o fim-de-semana portas abertas de Saint-Émillion, que é uma das apelações mais conceituadas.

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Assim, durante este fim-de-semana, as adegas (pomposamente chamadas châteaux por estas bandas) estavam abertas para receber os visitantes e dar a provar o seu vinho.

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Mesmo as grandes adegas são relativamente pequenas, mas a maior parte tem dimensão de negócio familiar. Numa delas passámos algum tempo a falar com o proprietário enquanto ele nos explicava a diferença entre os seus diferentes vinhos. De passagem disse-nos que Portugal é o país que tem mais castas vinícolas!

As vinhas, essas estão por todo o lado!

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Até uma próxima viagem.

Beijinhos e abraços!





Bordeaux

11 07 2015

Olá a todos,

 

Quase dois anos depois de deixarmos a île de Ré, vamos por fim chegar a Bordéus. São cerca de 200km, não é coisa para demorar tanto tempo.

Bordéus, que todos conhecemos pelo seu vinho, é uma cidade simpática com vastas zonas pedonais e sim, rodeada de vinhas. Mas isso já não vai ser para hoje.

A área urbana tem cerca de 1 milhão de habitantes e é a capital da região da Aquitânia.

Qualquer cidade francesa que se preze tem que ter o seu arco e Bordéus, não é exceção.

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Chama-se Porta da Aquitânia e foi porta de entrada na cidade noutros tempos. Hoje, é porta de entrada da rua de Sta. Catarina, uma pérola da Invicta.

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Se me permitem, faço aqui um parêntesis. Sendo eu um apreciador do mérito do novo acordo ortográfico em tornar a escrita mais fonética, não posso deixar de pensar que se devia então escrever Cátarina e Inbicta, carago.

Posto isto, tempo então de dar uma espreitadela na catedral. Catedral de Santo-André. Qualquer semelhança com a Igreja de Santo André, concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal é pura coincidência.

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Como era costume naquela altura, a construção começou no século XII e só acabou no século XVI.

Imagino os tipos do planeamento da época a seguirem a obra. Deviam de praguejar tanto que se confessavam 3 vezes ao dia. Penitência? Carregar baldes de massa.

Já no século XX e quase, quase a resvalar para o século XXI, foi declarada património mundial pela UNESCO.

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Mesmo ali ao lado, foi construído em 1998, no mesmo ano em que a catedral foi classificada pela UNESCO, o Tribunal de Grande Instância.

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Construído para julgar os responsáveis pelo atraso na construção da catedral, acabou por não cumprir o seu desígnio. O processo foi arquivado dado que o alegado crime tinha prescrito.

Ficou no entanto uma bela peça arquitetónica. Os cones que se vêm na fotografia são as salas de audiência e têm a essa forma para facilitar a circulação de ar. Espero nunca ir ver se o sistema funciona bem.

Seguindo em direção ao rio Garona (La Garonne), encontramos outros ícones da cidade.

Começamos pela Bourse Maritime:

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Passamos rapidamente pelo “Monument aux Girondins”. Que presta homenagem a um grupo de deputados locais assassinados durante a revolução francesa.

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Continuamos pela praça da bolsa, também ela património mundial da humanidade, e o seu espelho de água:

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E finalmente, acabamos na Ponte de Pedra, construída no início do século XIX:

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Para a próxima ficam as vinhas… e não só.

 

Beijinhos e abraços!





île de Ré

11 08 2013

Olá outra vez!

Da última vez ficámos em La Rochelle e hoje não vamos muito longe. Vamos até à île de Ré.

A ilha de 30 km de extensão está ligada a La Rochelle por uma ponte com cerca de 3km. A portagem custa 16€ no Verão e passa para metade no Inverno. Eu que pensava que a ponte Vasco da Gama era cara!

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Curiosamente, na época romana existiam 3 ilhas. Aparentemente foi a construção de salinas que acelerou o processo de assoreamento e hoje, eu garanto, a ilha é única.

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Com praias simpáticas, desconfio que em época estival muito boa gente vem aqui pôr o esqueleto de molho. E desengane-se quem pensar que a água é fria, porque nesta altura está a 22º C. Uma espécie de Algarve.

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A nossa visita foi em Maio e nessa altura estava pouca gente, mas deu para perceber, pela quantidade de casas fechadas, que é um local de eleição da burguesia para estabelecer a sua casa de férias, ou de fim-de-semana,

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No extremo ocidental, onde a ilha se abre ao Golfo da Biscaia, fica o Phare des Baleines – Farol das Baleias. Está edificado à Ponta das Baleias, que assim se chama porque era frequente baleias darem à costa nesta zona.

Espero que tenham gostado. Eu gostava de lá voltar no Verão.

 

Beijinhos e abraços!





La Rochelle

4 08 2013

Esta viagem já foi no ano passado, felizmente que as fotografias não apodrecem.

Olá a todos!

La Rochelle fica situada na costa Oeste de frança, aqui eles dizem que é Sudoeste, mas segundo os pontos cardeais que aprendi na escola, não há mais Oeste do que isto.

Foi a primeira paragem de uma viagem que nos levou até Bordéus (aí sim Sudoeste), mas isso será para um próximo périplo bloguiano.

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Historicamente foi uma cidade cuja bandeira mudou frequentemente entre “a” França e “a”  Inglaterra. Mesmo após a partida dos ingleses no fim da guerra dos 100 anos, o protestantismo estava instalado e foi o próprio Cardeal Le Richelieu que acabou com a brincadeira em 1628. Como? Estabeleceu um cerco à cidade a 10 de Setembro de 1627 e a 28 de Outubro de 1628, depois da população ter sucumbido à fome e ter sido reduzida de 28000 a 5500 habitantes, o protestantismo estava arrumado. Um homem de Deus bastante prático este Sr. Richelieu.

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Hoje La Rochelle é uma cidade simpática, continua à beira mar plantada e bem plantada. Tem o porto de águas profundas com melhor acessibilidade de toda a costa atlântica francesa e tem também um enorme porto de recreio.

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CIdade onde se pode comer bom marisco e bom peixe e com extraordinárias lojas de gelados. Infelizmente o tempo não estava convidativo e a estadia foi muito curta.

Achei muita graça a estas casinhas de madeira que estavam perto de um pequeno porto dentro das muralhas.

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Para breve fica prometida uma pequena expedição pela ilha de Ré. Para os curiosos da música, ficam a saber que eu acho que quem lhe deu o nome estava a pensar em Ré como nona de Dó maior Open-mouthed smile

Até breve e…

Beijinhos e abraços!





Jolies Couleurs

24 02 2013

Olá a todos!

O fim-de-semana passado presenteou-nos com o primeiro dia desde há tempo demais com temperaturas consistentemente positivas.

Para completar o bouquet, Sábado ao fim da tarde o céu estava sarapintado de nuvens promissoras.

Perante tamanha eloquência climática, não há outra alternativa senão pegar na máquina e no tripé e ir à procura dos raios de luz mais preciosos. Caso contrário, ficamos sujeitos à ira de S. Pedro – “Ah e tal mas que é isto, dou-lhes tudo e eles não aproveitam? Toma lá mais frio para veres quem é este menino que aqui está!”

Aqui está o resultado:

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Cumpri a minha parte, mas estou certo que alguém não respondeu à chamada, porque desde então o mercúrio insiste em não passar para terreno positivo.

 

Beijinhos e abraços!








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